Em agosto de 1961, o presidente Jânio Quadros enviou bilhete de renúncia ao Congresso. Por pouco o gesto intempestivo não deflagrou um conflito armado
arte sobre original do arquivo do senado
Passados 65 anos desse episódio dramático, ainda há controvérsias. Mas muitos historiadores interpretam como um “autogolpe” pelo perfil do presidente
agência nacional/arquivo nacional
Jânio nasceu no atual Mato Grosso do Sul. Foi professor e advogado em São Paulo, onde fez carreira política com fama de incorruptível
correio da manhã/arquivo nacional
O símbolo de suas campanhas para vereador, prefeito e governador de São Paulo era uma vassoura para “limpar a sujeira” da corrupção
correio da manhã/arquivo nacional
Eleito presidente em 1960 com apoio da UDN, maior partido de direita, Jânio, do pequeno PTN paulista, exigiu dirigir sua campanha sozinho e conseguiu
correio da manhã/arquivo nacional
Setores das Forças Armadas só aceitaram porque queriam romper a aliança partidária entre PTB e PSD, no poder desde 1946. Queriam a vitória da UDN
agência nacional/arquivo nacional
Com esse objetivo, sufocaram, em dezembro de 1959, a tentativa de golpe de um pequeno grupo de militares, conhecida como Revolta de Aragarças
campanella neto
O clima de golpismo durou os sete meses do governo de Jânio. Ele sabia que os militares vetariam o nome de João Goulart, seu vice, para substituí-lo
agência nacional/arquivo nacional
Políticos da época dizem que a renúncia foi um “autogolpe”. Jânio queria voltar com mais poderes, depois que o Congresso não aceitasse seu pedido
correio da manhã/arquivo nacional
Mas não foi o que ocorreu. O vice-presidente do Senado, Auro de Moura Andrade (PSD-SP), aceitou o pedido, mesmo com Goulart em viagem oficial à China
agência nacional/arquivo nacional
"Fui vencido pela reação", escreveu Jânio em carta. Ele escolheu até a data da renúncia: um dia antes do suicídio de Vargas completar sete anos
agência nacional/arquivo nacional
O país viveu período de forte tensão entre 25 de agosto, dia da renúncia, e 7 de setembro, com militares divididos sobre a posse de Goulart
correio da manhã/Arquivo nacional
O governador gaúcho Leonel Brizola ameaçou pegar em armas. Liderou a Campanha da Legalidade, apoiado pelo marechal progressista Henrique Teixeira Lott
museu hipólito josé da costa
Na iminência de uma guerra civil, parlamentares negociaram com Goulart a adoção do parlamentarismo no lugar do presidencialismo, vigente desde 1889
instituto joão goulart
O governo passaria a ter, além do presidente, um primeiro-ministro. Com essa divisão de poderes, militares conservadores aceitaram a posse de Goulart
reprodução/fgv
A crise se encerrou duas semanas após a renúncia de Jânio. Em 1963, por meio de um plebiscito, os brasileiros votaram pelo retorno do presidencialismo
reprodução/o cruzeiro
texto Maria Fernanda Oliveira (sob supervisão) edição Cíntia Sasse edição de imagens e multimídia Bernardo Ururahy foto da capa Erno Schneider
Publicado em 26/8/2026
Expediente